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Desastres e catástrofes causam prejuízos de US$ 175 bi em 2016

Denise Bueno
Escrito por Denise Bueno

Pelo menos deste ranking de desastres e catástrofes de 2016 o Brasil não participa. Nem do ranking das 40 maiores catástrofes do mundo. Os desastres e catástrofes naturais em 2016 provocaram danos avaliados em US$ 175 bilhões, quase o dobro de 2015 (US$ 94 bilhões), de acordo com o relatório anual Sigma, publicado nesta terça-feira pela Swiss Re. O custo ficou acima da estimativa divulgada em dezembro pela Swiss Re, de US$ 158 bilhões.

Deste valor, US$ 54 bilhões foram pagos pelas seguradoras em indenizações aos seus clientes que tiveram perdas, ou seja, 42% a mais que em 2015.No ano passado as catástrofes foram menos letais, no entanto, com 11 mil vítimas, contra mais de 26 mil em 2015.

O estudo revela que 2016 foi o ano de maiores custos em termos de danos econômicos relacionados com catástrofes desde 2012. Isto se explica pelo grande número de catástrofes importantes, incluindo terremotos, tempestades, inundações e incêndios florestais” em todas as regiões do mundo.

Foram contabilizadas 327 catástrofes em todo o mundo, 191 delas provocadas pela natureza e 136 pelo homem. A Ásia foi o continente mais afetado pelas catástrofes, com 128 episódios registrados. O terremoto que afetou a ilha japonesa de Kyushu em abril de 2016 provocou o maior prejuízo econômico, avaliado em entre US$ 25 bilhões e US$ 30 bilhões.

Os terremotos também abalaram outros países, como o Equador, também em abril.O tremor provocou a morte de 673 pessoas e um prejuízo econômico de quatro bilhões de dólares – apenas US$ 500 mil tinham cobertura de seguro. Kurt Karl, economista chefe da Swiss Re, destacou que “algumas regiões tiveram uma reação melhor graças a uma boa cobertura”.

Metade dos custos sob cobertura de seguro em 2016 estavam na América do Norte, afetada por violentas tempestades, mas onde as residências contam com seguro em general. As fortes chuvas de abril no Texas foram o evento mais caro para as seguradoras no continente.

Quase 86% dos danos, ou seja, US$ 3 bilhões dos US$ 3,5 bilhões tinham cobertura. Os incêndios florestais no Canadá em maio e junho também contavam com uma boa cobertura dos seguros: US$ 2,8 bilhões dos US$ 4 bilhões em danos tinham seguro.

No caso do Japão, apenas 20% das perdas do terremoto de abril contavam com alguma cobertura. O furacão Matthew foi a catástrofe mais letal: 700 mortos, principalmente no Haiti. O fenômeno, que aconteceu em outubro, provocou danos de US$ 12 bilhões e US$ 4 bilhões foram cobertos pelas seguradoras.

As inundações também provocaram muitos prejuízos. Na China, as cheias na bacia do rio Yangtse em julho do ano passado resultaram em custos de US$ 22 bilhões, o maior prejuízo por inundações no país desde 1998. As seguradoras, no entanto, cobriram apenas US$ 400 milhões. Dos US$ 4 bilhões de prejuízos com as inundações de maio e junho na Europa, US$ 2,9 bilhões contavam com cobertura.

O estudo pode ser acessado em quatro línguas aqui

Sobre a Autora

Denise Bueno

Denise Bueno

Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre finanças para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Fiesp, ACSP, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista da revista Apólice, especializada em seguros, e também do SindSeg-SP. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalizacao entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil.

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