fusões e aquisições

Joint-venture Bradesco e Swiss Re é a terceira maior em grandes riscos no Brasil

“Estamos orgulhosos da nossa história, que está apenas começando”. Assim Rodolf Flunger, chefe de marketing da Swiss Re Corporate Solutions, definiu a parceria fechada com o grupo Bradesco Seguros depois de seis meses de intensas negociações. O resultado de tantas reuniões foi anunciado no dia 13 de outubro pela diretoria dos dois grupos. Valores não foram revelados. “Não se trata de um processo de venda e sim de uma joint venture. O valor ficou irrelevante diante da troca de ações”, afirmou Randal Zanetti, presidente do grupo Bradesco Seguros, durante coletiva de imprensa.

Assim que os órgãos reguladores aprovarem a criação da Swiss Re Corporate Solutions Brasil Seguros (SRCSB), gigante até no nome, surge uma companhia de quase R$ 1 bilhão em prêmios brutos, controlada pela Swiss Re, com 60%, e pela Bradesco com 40%. “Em números de 2015, calculamos R$ 800 milhões, sendo R$ 412 milhões da Bradesco e R$ 396 milhões da Swiss Re Solutions”, informaram Zanetti e João Nogueira Batista, CEO da SRCSB.

O blog Sonho Seguro pediu para a consultoria Siscorp simular o tamanho da nova companhia, levando em conta números divulgados pela Superintendência de Seguros Privados (Susep) até agosto deste ano. Considerando-se os últimos doze meses, contatos de setembro de 2015 a agosto de 2016, o resultado é este: R$ 1,1 bilhão em prêmios, o que representa a terceira maior do Brasil nos ramos agrupados (riscos de engenharia, riscos patrimoniais, transportes, aeronáutico, casco marítimo, aéreo e responsabilidade civil). A tabela inclui a totalidade dos prêmios de riscos empresariais, mas apenas as empresas com faturamento acima de R$ 10 milhões é que migrarão para a nova companhia. Abaixo desse valor, continuam na Bradesco Auto RE.

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Tanto Zanetti como Nogueira afirmam que as boas perspectivas do Brasil no médio e longo prazo, bem como a retomada dos investimentos em infraestrutura, foram um grande incentivo para a associação. Mas não o foco da decisão. “O intuito na nossa estratégia, diferente de concorrentes que optaram por sair do segmento de grandes riscos, foi trazer um parceiro global para nossos clientes. Temos hoje o melhor parceiro possível para crescermos nesta nova fase do seguro de grandes riscos que se desenhou no Brasil”.

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Zanetti destacou que para o Bradesco o braço de seguridade tem um peso importante na estratégia do grupo. “Acreditamos que não só os produtos bancários dão apoio ao crescimento dos nossos clientes. O seguro é um importante ativo para preservar patrimônios do imprevisto”, comentou Zanetti, citando outros exemplos de parceria no qual o grupo não é majoritário, como Cielo, Orion e Fleury.

Para a Swiss Re, uma gigante mundial — receita total de US$ 16,1 bilhões no primeiro semestre deste ano e lucro de US$ 1,9 bilhão –, a parceria traz um canal de distribuição exclusivo pelo prazo de 20 anos, renováveis, sem igual: presente em todo o Brasil, acionistas de diversas empresas e uma carteira de clientes corporte destacada dentro do universo financeiro local. O executivo da Swiss Re destacou o apoio dos programas de seguros sob medida às empresas e investidores ao crescimento da economia. “Temos uma parceria que apenas se inicia e já nasce robusta. Apostamos no crescimento do Brasil e no atendimento das nossas empresas globais que chegam ao país”.

Um ganho para o grupo já deverá vir do resseguro, que tem o IRB Brasil Re como líder de mercado e na lista de IPOs que o governo pretende realizar em 2017. O grupo Bradesco Seguros, que detém 20,43% do capital do IRB Brasil Re, certamente revistará o programa de resseguros para passar uma parcela para a Swiss Re, que atua no Brasil também como resseguradora local e vem obtendo um crescimento expressivo nos últimos anos.

Quanto ao “run off”, que significa a gestão dos pedidos de indenizações que podem surgir de contratos existentes antes da parceria, ele faz parte do pacote. “Assumiremos o run off, que será acompanhado da reserva técnica que já garante o risco quando foi assumido”, comentou Nogueira, da Swiss Re.

Sobre a Autora

Denise Bueno

Denise Bueno

Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre finanças para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Fiesp, ACSP, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista da revista Apólice, especializada em seguros, e também do SindSeg-SP. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalizacao entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil.

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