grandes riscos

Alto custo e falta de expertise limitam crescimento do mercado segurado

Fonte: DCI, por Isabela Bolzani

Os altos preços e a falta de produtos especializados para segmentos de indústria, energia e óleo e gás, têm impedido a aceitação de seguros por grandes empresas do setor. Além da crise, a alta nos sinistros e má expertise deixam cenário difícil para seguradoras.

De acordo com Elias Junior, especialista de subscrição do Instituto de Resseguros do Brasil (IRB Brasil RE), em relação ao mercado petrolífero, por exemplo, apesar da capacidade de contenção de risco próxima a U$ 7 bilhões, a receita das seguradoras caiu 50% em três anos.

“O preço do barril acabou paralisando os investimentos e isso provocou uma redução também na arrecadação do prêmio de seguro. No entanto, os sinistros continuam acontecendo em proporções que impactam o mercado, sendo que, só no último ano, duas situações já representaram R$ 500 milhões arcados em sinistros”, identifica, sem detalhar essas situações.

Junior ressalta que o único motivo para o ramo ainda ter apresentado resultado positivo, foi a valorização cambial, uma vez que as apólices são emitidas em dólar, e a contabilização, feita na moeda local, ajuda no resultado final pelo prêmio não ganho.

Segundo dados da Confederação Nacional das Empresas de Seguros Gerais (CNseg), apesar de a arrecadação do mercado segurador em relação aos produtos de Responsabilidade Civil – um dos principais seguros voltados para executivos de altos cargos – ter apresentado alta de 17,7% em 2015 com relação a 2014, em abril, mostrou recuo de 23,08% ante março e, de 12,9% em relação a igual mês de 2015.

Para Angelita Maria Pereira, chefe da divisão de contratos, seguros e cadastro de fornecedores da Eletrosul, controlada pela Eletrobras, os atuais produtos presentes no mercado segurador não condizem com a realidade da demanda.

“É preciso tratar dos vários segmentos específicos, buscando as ansiedades de cada setor, principalmente porque quando se fala de grandes valores, isso pode inviabilizar a companhia e um seguro bem feito ajudaria bastante nessa questão”, explica Pereira.

Ela destaca que, além disso, a precificação dos seguros não condiz com o cenário de recessão, realidade em muitas empresas. “Riscos que não fazem parte do histórico da empresa, são bem mais difíceis de mensurar por não serem questões vivenciadas no dia a dia”, diz.

Segundo Dante José Santiago Tapioca, especialista em seguros da Neoenergia, a maior preocupação é que “os riscos estão muito mal subscritos” nas apólices. “Muitas vezes fomentamos, junto ao jurídico, questões necessárias para viabilizar uma negociação, mas não é fácil chegar a um consenso, principalmente porque as seguradoras não podem realizar a formação de uma franquia por meio de conveniência para ela”, completa.

Responsabilidade

De acordo com os especialistas, a tendência do mercado em relação aos riscos, é de atrelar a responsabilidade pessoal em contratos de gestão.

“Temos levado esses exemplos ao nosso executivo, para que eles também vejam a responsabilidade deles nesse cenário. Tivemos um sinistro, por exemplo, onde só os custos das despesas hospitalares foram de R$ 6 milhões. É algo caro, mas necessário, porque é um setor muito complexo”, diz Valéria Conrado Leite, gerente de riscos da AES Eletropaulo.

Para Pereira, a responsabilização do gestor é necessária porque “apesar do mercado ser regulado, as apólices de hoje, muitas vezes, não atendem os anseios dos setores elétricos, industrial e de óleo e gás”. “Além disso, os custos das indenizações estão aumentando muito nos últimos anos, e nem sempre só com terceiros, mas dentro da própria empresa também. Isso acaba trazendo reflexos importantes para o setor como um todo”, conta.

Sobre a Autora

Denise Bueno

Denise Bueno

Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre finanças para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Fiesp, ACSP, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista da revista Apólice, especializada em seguros, e também do SindSeg-SP. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalizacao entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil.

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