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Companhias equilibram capital de acordo com crescimento e ramo de atuação

Denise Bueno
Escrito por Denise Bueno

© Copyright 2010 CorbisCorporationO final do ano se aproxima e com ele várias notícias sobre aumento e redução de capital, motivados ou pelo crescimento ou pelo ramo de atuação. Quanto mais arriscado o contrato de seguro, maior a necessidade de recursos para garantir o pagamento futuro da indenização em caso de um risco coberto ser concretizado. Durante 2014, várias companhias reavaliaram a necessidade de recursos com base nas regras de capital baseado em riscos, considerando-se o risco operacional, de crédito, financeiro, legal e de mercado.

A solvência das companhias é tema prioritário para os órgãos reguladores, pois ela está diretamente ligada ao nível de capital mínimo exigido para uma seguradora operar. O objetivo é ter um cálculo de quanto um acionista tem de alocar de capital para que uma seguradora faça frente ao risco que vai assumir. Se o capital mínimo for mal calculado pode causar dois problemas: se estiver abaixo do necessário, a seguradora corre o risco de quebrar com a primeira crise do setor; se estiver acima, terá um impacto direto no custo do produto, tirando a competitividade da seguradora, o que também acarretará perdas aos acionistas, aos consumidores e à imagem do setor.

Em todo o mundo se buscam modelos diferenciados para fixar esse valor. Vários países têm estimulado as seguradoras a desenvolver seus próprios modelos de solvência. Só depois de testada, a norma é aprovado pelo órgão regulador. No mundo, as regras do setor de seguro têm sido testadas com as catástrofes naturais e as provocadas pelo homem. Mesmo com terrorismo e furacões, o mercado permanece solvente. O mesmo acontece no Brasil.

Nesta quarta-feira temos várias notícias geradas por esse motivo. A que envolve o maior volume de aumento de capital vem da Allianz Global Corporate & Specialty (AGCS), resseguradora da Allianz, segundo notícia veiculada no Valor, com aporte de R$ 100 milhões em capital, elevando-o para R$ 250 milhões. “A motivação é o crescimento da operação. Pela regulamentação brasileira há uma relação entre a necessidade de capital e o volume de prêmios”, diz Angelo Colombo, presidente da AGCS Brasil. Segundo ele, a expectativa de crescimento foi superada e a matriz antecipou o investimento previsto, informa o Valor.

Segundo Roberto Westenberg, titular da Susep, a etapa de implementação de capital baseado em risco de mercado será tranquila. “Fizemos alguns testes com o mercado e a resposta foi tranquila”, comentou ele ao Blog Sonho Seguro. A adequação do capital baseado em riscos de mercados deverá ser feita ao longo de 2016, mas as muitas seguradoras já iniciaram esse processo há tempos, principalmente as ligadas a bancos, com prazo para Basileia 3 mais apertado, e também as de capital estrangeiro, que têm de seguir as normas adotadas pela matriz.

A Bradesco Seguros, por exemplo, fez uma série de mudanças, com redução do capital em algumas das companhias do grupo e aumento em outras. Assim como a Itaú Unibanco, Mapfre entre outras. O fato é que com as mudanças nas regras de capital que vem sendo implementadas ao longo dos últimos anos, com as regras para riscos de mercado no forno para serem cumpridas durante 2016, as companhias estão calibrando o capital em suas operações. As que operam em contratos de maior risco precisam aportar mais capital. As que atuam em carteiras com riscos menores, podem alocar o capital em ativos com maior rentabildiade. E quanto mais se vende, mais capital é preciso ter.

Dentro desse contexto, umas perceberam que tinham em excesso e resolveram reduzir, como a Safra Seguradora. A Susep autorizou a redução do capital da Safra Vida e Previdência em R$ 37 milhões, para R$ 57 milhões. A seguradora francesa AXA está mesmo em ritmo frenético de conquista de clientes. Com tão pouco tempo de operação já pediu para a Susep aumento de capital de R$ 10 milhões, para R$ 88 milhões. O grupo atua tanto com seguros como com resseguros. A Chubb também aumenta o capital em R$ 8,4 milhões, para R$ 270 milhões. A Alfa seguradora também pediu autorização para elevar o aumento em capital de R$ 1 milhão. para R$ 59,9 milhões.

Sobre a Autora

Denise Bueno

Denise Bueno

Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre finanças para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Fiesp, ACSP, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista da revista Apólice, especializada em seguros, e também do SindSeg-SP. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalizacao entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil.

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