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Executivos do mercado incorporam conceito da sustentabilidade à agenda de negócios

matéria extraída do portal da CNseg (www.viverseguro.org.br)

O conceito de sustentabilidade começa a ser incluído cada vez mais na agenda dos executivos do mercado segurador. Foi o mostrou uma mesa redonda que reuniu os diretores e presidentes de seguradoras durante o I Workshop Inovação e Oportunidades em Sustentabilidade, realizado na terça-feira. Um sinal deste angajamento com práticas sustentáveis será dado no meio do ano, com a realização do evento internacional da International Insurance Society (IIS), que marcará a adesão da indústria de seguros aos Princípios para o Desenvolvimento Sustentável de Seguros, durante a Rio+20, conferência agendada para os dias 20 a 22 de junho no Rio de Janeiro.

Participante dos debates, Patrick Larragoiti, presidente do Conselho da SulAmérica e vice-presidente da CNseg, destacou o empenho das seguradoras e resseguradoras mundiais para influenciar governos na redução de riscos e na preservação dos recursos públicos. “As companhias do setor realizam estudos, fundamentados na base estatística do setor de perdas, e alertam governos sobre riscos. Por exemplo, recentemente, estudo da Swiss Re detectou mais de 3,4 bilhões de pessoas no mundo em situação de perder bens e a própria vida em razão de morarem perto de encostas facilmente afetadas pelas mudanças climáticas”, assinalou Larragoiti, que faz parte do conselho da Geneva Association, entidade que reúne 300 CEOs do setor e se dedica a estudar temas relevantes da indústria de seguros.

Um outro estudo, da Munich Re, revelou que de 1980 até 2010 o custo com pagamento de indenizações dobrou, sem que o volume de vendas tenha acompanhado esse crescimento. Isso sinaliza que algo tem de ser feito para a manutenção do retorno exigido pelo acionista para continuar colocando dinheiro na operação. Diante disso- ter informações sobre riscos e precisar melhorar a qualidade dos riscos assumidos -, os critérios de sustentabilidade deixam de ser apenas uma atitude moderna para ser a linha mestra da atividade seguradora. “Quanto menos riscos se concretizarem em razão da boa gestão, mais todos ganham: o governo, que usa menos recursos para socorrer vítimas sem proteção; a seguradora, que paga menos indenizações; e o segurado, que se mantém vivo e saudável. É bom para todo mundo”, ressalta Marcos Lisboa, vice-presidente do Itaú Seguros.

No Brasil, várias atitudes já foram tomadas, desde medidas simples como campanhas de uso consciente de papel e luz até a reformulação de contratos visando um relacionamento mais transparente e duradouro com o consumidor, bem como lançamento de produtos com parte do valor direcionado a entidades ligadas à educação e preservação do planeta. Agora há uma grande lista de desafios pela frente. Prova disso é que das 86% das seguradoras que responderam uma pesquisa realizada pela BSD Consulting em agosto de 2011, menos de 25% publicam relatórios financeiros desenvolvidos no modelo Global Reporting Initiat ive (GRI). Esse dado mostra que o engajamento do setor precisa ser ampliado.

Há um grande desafio: incorporar as práticas de sustentabilidade nos processos do negócio. Segundo Solange Beatriz, diretora da CNseg, está na agenda do setor uma agenda para os Princípios para o Desenvolvimento Sustentável de Seguros. Entre as prioridades, considerar sistematicamente as questões ambientais, sociais e de governança no negócio, princípios, estratégias e operações; aumentar a consciência da indústria de seguros sobre questões ambientais, sociais e de governança, reduzir o risco e encontrar soluções; trabalhar em conjunto com a sociedade para reforçar nossa eficiência na implementaÍ ão dos princípios; ser transparente ao comunicar as nossas atividades e progressos na implementação desses objetivos.

Entre as várias ações que fazem parte da agenda dos executivos, há as reuniões com governos e órgãos reguladores. Jayme Garfinkel, presidente da Porto Seguros e também da Fenseg, contou que a entidade já participa com o governo do planejamento de medidas para mitigar perdas de riscos certos. “Pessoas e empresas que moram em regiões onde as enchentes são certas, como em locais de Santa Catarina, ou mesmo que vivem nas encostas da região serrana do Rio, precisam contar com investimentos do governo na redução dos impactos climáticos. Podemos, certamente, ajudar o governo a desenvolver um plano de ação com base nos dados estatísticos acumulados˜, comentou.

Segundo ele, é fundamental para o segurador oferecer sugestões para a sociedade e governo, assim como as companhias fazem no dia a dia do negócio que se baseia em vender proteção. “O que aconteceria com a nossa frota de veículos se viesse uma tsunami. Qual o impacto na nossa carteira e na nossa sobrevivência. Nós trabalhamos para proteger nossos riscos e agora precisamos oferecer isso para a sociedade. Todos nós temos de fazer a nossa parte. No âmbito social, educacional e ambiental”, afirmou Garfinkel.

Segundo Lisboa, a atividade de seguro pode e deve ajudar a sociedade no gerenciamento e prevenção de riscos, além de ofertar uma gama de produtos que atendam às necessidades de uma nova sociedade, formada por um consumidor diferenciado. “Somos um segmento da economia com poder de influenciar clientes importantes a gerir melhor riscos e agregar melhorias na cadeia produtiva e social na qual estão inseridos. Afinal, gerenciar risco é o nosso negócio”.

Outra atitude que já começou a sair do papel é traçar uma política de investimentos sustentáveis. As seguradoras são donas de reservas técnicas que já superam R$ 300 bilhões. “Atualmente temos limitações para a aplicação dos recursos, mas já encaminhamos sugestões ao órgão regulador para podermos criar um portfólio de investimento de longo prazo”, explicou Solange Vieira, diretora da CNseg.

Um dos caminhos que pode ser seguido nesse sentido é o que já foi feito pelas gestoras de ativos de terceiros. “Podemos usar o que já foi desenvolvido pelas assets dentro do PRI(Principles for Responsible Investment), da Organização das Nações Unidas (ONU)”, sugeriu o executivo Alfredo Lalia Neto, diretor da HSBC Seguros e da FenaPrevi, lembrando que a HSBC lançou no Brasil um seguro de carro com parte da receita do prêmio direcionada a entidades responsáveis pela redução de CO2 dos clientes. O produto foi copiado pelas subsidiárias da América Latina e também pela própria matriz do grupo, sediado em Londres.

Em relação ao PRI, o conjunto de regras sustentáveis já conta com mais de mil signatários no mundo, responsáveis pela gestão de US$ 30 trilhões. O objetivo é aplicar recursos em empresas com padrões mínimos de sustentabilidade. A iniciativa também apoia os investidores a trabalharem juntos a fim de se voltarem para os problemas sistêmicos que, corrigidos, podem levar a condições de mercado mais estáveis, responsáveis e lucrativas, de modo geral.

Em produtos, serviços e campanhas as seguradoras já têm boas histórias para contar. O grupo Bradesco Seguros tem também vários produtos com apelo sócio ambiental. Norton Glabes Labes, presidente da Bradesco Capitalização, lembrou que uma nova ala do Hospital do Câncer, em São Paulo, foi erguida com recursos da venda do título de Câncer de Mama, no Alvo da Moda. Citou também que mais de 24 milhões de mudas de árvores já foram plantadas na Mata Atlântica com a venda do titulo SOS Mata Atlântica.

O executivo Enrique Adam Coello, diretor de Marketing do grupo Bradesco, citou atitudes mais voltadas à longevidade. “O bônus demográfico é uma das maiores conquistas do ser humano. Ninguém vive bem se não se sentir protegido. Por isso temos apostados em Ações como o Porteiro Amigo, que é treinado para ajudar idosos, bem como corridas de rua e a organização de ciclovias para estimular hábitos saudáveis na população”, comentou.

O grupo também estimula o debate de assuntos como a longevidade e gestão de riscos por meio de seminários realizados anualmente. Em saúde, o tema é também latente. Marcio Coriolano, presidente da FenaSaúde e também da Bradesco Saúde, abordou a importância dada pelo segmento a programas de prevenção e qualidade de vida. “A Fenasaúde participa da campanha do Ministério da Saúde sobre qualidade de vida, além de investir fortemente em ações junto a fornecedores e clientes”, comentou.

Solange Beatriz, diretora-executiva da CNseg, encerrou o evento ressaltando a importância do encontro e reforçando a importância da adoção, pelo setor, de ações práticas e comuns às empresas. A diretora-executiva também anunciou que a segunda edição do Prêmio Antônio Carlos de Almeida Braga em Inovação em Seguros, em 2012, terá foco em sustentabilidade.

Sobre a Autora

Denise Bueno

Denise Bueno

Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre finanças para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Fiesp, ACSP, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista da revista Apólice, especializada em seguros, e também do SindSeg-SP. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalizacao entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil.

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