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Regras podem gerar perda com investimento

42-21523153Segundo estudo divulgado pela Swiss Re, o desempenho dos investimentos transformou-se na principal preocupação de muitas seguradoras. As seguradoras investem cerca de US$ 23 trilhões em todo o mundo. Isso mesmo. Trilhões, o que faz delas o terceiro maior investidor institucional do planeta. São superadas pelos fundos de pensão e pelos fundos mútuos. O estudo “Investimentos de seguros em um ambiente global desafiador” alerta que, combinado com padrões regulamentares mais rígidos, um ambiente de rendimentos baixos poderia prejudicar o retorno dos investimentos das seguradoras, levando a lucros mais baixos para o setor e a prêmios mais elevados para os segurados.

Ou seja, a tendência é de que o seguro vai aumentar de preço. Isso também explica porque tantos investidores estão vindo para o Brasil, um país que tem uma das maiores taxas de juros do mundo para remunerar investimentos. No entanto, é preciso saber onde colocar o dinheiro, ainda mais quando ele pertence a terceiros, como é o caso de seguros e previdência.

Em seguros o compromisso é pagar uma indenização na ocorrência de um acidente,. Esse segmento responde por US$ 4 trilhões das aplicações financeiras. Já a previdência conta com a maior fatia, de US$ 19 trilhões, por acumular as reservas para a aposentadoria da população que busca no setor privado um complemento aos benefícios concedidos pelos governos.

As seguradoras tendem a investir de forma conservadora. David Laster, um dos autores do novo estudo sigma, comenta: “As empresas dos segmentos vida e não vida mantêm a maior parte de seus ativos em obrigações públicas e em obrigações privadas com elevada classificação de crédito. As empresas do segmento não vida detêm proporcionalmente mais recursos em caixa e ações, enquanto as do ramo vida possuem mais empréstimos e instrumentos de renda fixa e menos liquidez.”

A crise financeira criou um ambiente novo e desafiador para os gestores de investimentos das seguradoras para fazerem frente as obrigações assumidas. Em razão da crise, os rendimentos dos títulos públicos atingiram níveis historicamente baixos, que poderão persistir até que a economia global realmente se recupere. O grande desafio está em achar boas oportunidades de investimentos, que combinem boa rentabilidade e baixo risco. Segundo os executivos de private equity e venture capital que entrevistei recentemente, o Brasil está cheio de pequenas e medias empresas com grande potencial.

Segundo o estudo, as seguradoras não devem estar sujeitas a restrições excessivas em suas decisões de investimento, pois a diversificação proporciona diversos benefícios Normas contábeis e regulamentares mais rígidas bem como custos de capital mais elevados em alguns investimentos podem estimular as seguradoras a alocar uma maior parcela de seus ativos a títulos públicos no momento em que seus rendimentos forem extremamente baixos e os papéis soberanos deixarem de ser investimentos totalmente seguros.

Raymond Yeung, co-autor do estudo, declara: “Os rendimentos das obrigações de países considerados portos seguros, como a Alemanha e os EUA, estão em seus mínimos históricos e estão mais baixos ainda no Japão. A escalada da dívida nacional aumentou a vulnerabilidade financeira dos governos.” Ele acrescenta: “Fazendo algumas alocações a classes de ativos adicionais, como ações de mercados emergentes e imóveis, as seguradoras podem estruturar carteiras com retorno esperado maior, porém sem risco adicional. Quaisquer restrições desnecessárias a tais alocações podem comprometer o desempenho de seus investimentos bem como sua capacidade de atingir um perfil de risco/retorno que atenda melhor às necessidades dos segurados e acionistas.”

Para as seguradoras dos EUA, uma exigência de alocar metade de seus ativos a notas do Tesouro e metade a obrigações do Tesouro norte-americano teria levado a uma redução anual de 1,5% nos retornos entre 1991 e 2008. Laster afirma: “Se fosse aplicada aos USD 23 trilhões de ativos do setor segurador global, esta exigência custaria às seguradoras mais de USD 1 trilhão no período de três anos.”

Determinar que as seguradoras invistam amplamente em títulos públicos reduziria o retorno dos investimentos, pressionando as empresas de seguro do segmento vida e não vida a aumentar seus prêmios para manter sua rentabilidade. Yeung destaca: “Prêmios maiores afetariam adversamente os segurados, já que alguns consumidores e empresas reduziriam a cobertura ou a abandonariam totalmente.” Laster acrescenta: “Beneficiários de anuidades e pensões receberiam pagamentos menores e mais clientes optariam por outros investimentos, de maior risco, consequentemente deixando de se beneficiar da experiência obtida pelas seguradoras em matéria de investimentos.”

O relatório também salienta que a crise financeira alterou o comportamento de muitos gestores de ativos de seguradoras. Em primeiro lugar, muitas seguradoras estão gerindo seus investimentos com a consciência de que as crises ocorrem regularmente. Em segundo, o aumento da alocação a ações melhora o perfil geral de risco de algumas seguradoras com aplicações baixas ou negligenciáveis em tais títulos. Terceiro, em função das perspectivas sólidas para os mercados emergentes, as alocações a estes países estão aumentando. Quarto, as seguradoras preocupadas com a inflação estão atenuando tal risco com mais investimentos em commodities, imóveis e títulos atrelados à inflação. E, por último, as seguradoras estão recorrendo cada vez mais a gestores externos para gerir pelo menos uma parcela de suas carteiras.

Sobre a Autora

Denise Bueno

Denise Bueno

Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre finanças para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Fiesp, ACSP, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista da revista Apólice, especializada em seguros, e também do SindSeg-SP. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalizacao entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil.

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