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Swiss Re avalia impacto da inflação no setor

42-17678855Os picos atingidos recentemente pelos preços das commodities e o afrouxamento atual da política monetária intensificaram os temores de inflação. Muitas seguradoras identificaram estas circunstâncias como um de seus principais riscos. O mais recente estudo sigma da Swiss Re “O impacto da inflação sobre as seguradoras” sugere que as seguradoras podem limitar o impacto da inflação sobre os retornos dos investimentos, avaliações de ativos e compromissos futuros de seguros aplicando hedging de inflação, incluindo cláusulas de indexação aos contratos e adquirindo resseguro.

Segundo release distribuído pela resseguradora, a inflação é o fenômeno econômico de aumento dos preços de bens e serviços. Ela influencia as despesas com reclamações de sinistro e despesas em geral, o valor dos passivos e, menos diretamente, o valor dos ativos. Em termos históricos, o aumento dos custos das reclamações de sinistro ultrapassou a inflação devido a fatores adicionais conhecidos como “escaladas dos custos sociais” que, somadas aos custos da inflação, incluem os efeitos do aumento do número de litígios, mudanças nas normas sociais e crescentes despesas com tratamento médico.

A inflação afeta as seguradoras de vida e não-vida de diferentes maneiras Para as seguradoras do ramo não-vida, uma inflação súbita leva a maiores custos de reclamações de sinistro, minando sua rentabilidade. Thomas Holzheu, um dos autores do novo estudo sigma, comenta: “Períodos prolongados de inflação galopante são problemáticos sobretudo para os segmentos de negócios long-tail. Ainda segundo Holzheu: “As seguradoras podem atenuar o impacto ajustando as taxas de prêmio; porém, às vezes isto não é possível se as regulamentações ou o ambiente competitivo não permitirem tais ajustes.”

Para as seguradoras de vida, tanto a inflação quanto a deflação constituem riscos. Geralmente a inflação vem acompanhada de um aumento das taxas de juros, o que reduz o valor das garantias de retorno. Uma inflação em alta pode ter efeito negativo sobre a O novo estudo sigma da Swiss Re analisa o impacto da inflação sobre as
seguradoras e as maneiras de enfrentar este desafio página 2/4 demanda, podendo levar a cancelamentos de apólices pelos tomadores de seguro bem como acarretar crescentes custos para as seguradoras.

Em caso de deflação, ou se uma inflação muito baixa persiste, as taxas de juros tendem a cair. Kurt Karl, economista chefe da Swiss Re nos EUA e um dos autores do estudo, comenta: “Isto dificulta às seguradoras de vida, com grandes carteiras de produtos de poupança com garantia de taxa de juros mínimo, obterem o retorno esperado dos ativos.”

As seguradoras têm diversas opções para atenuar o risco de inflação. As seguradoras preocupadas com o risco de inflação podem atenuar este risco de diversas maneiras. David Laster, um dos autores do estudo, comenta: Quanto aos ativos, as seguradoras podem investir em commodities, imóveis e títulos indexados à inflação, que consideramos os hedges de inflação mais viáveis. Tais investimentos têm obtido bom desempenho durante períodos de inflação alta.”

As seguradoras também podem modificar os contratos de seguro para encurtar o prazo e, consequentemente, reduzir o risco de desenvolvimento. Holzheu afirma: “As seguradoras podem introduzir apólices ‘claims made’ ou cláusulas ‘sunset’ para solucionar a questão de sinistros latentes, além de poderem incluir cláusulas de indexação vinculando prêmios, limites e dedutíveis/retenção a um índice atrelado à inflação.”

O resseguro também pode oferecer às seguradoras proteção contra surpresas inflacionárias, o que se revela particularmente útil em mercados emergentes, onde o risco de inflação alta é mais elevado. A inflação é uma possível ameaça no médio prazo Karl afirma: “Embora as políticas monetárias agressivas e os gastos públicos em nível recorde tenham causado inquietações com a possibilidade de um drástico crescimento inflacionário, é improvável que isso ocorra nos próximos um a três anos, uma vez que as taxas de desemprego estão elevadas e há poucas restrições de capacidade.” “Mas a inflação poderá aumentar se o afrouxamento da política monetária for mantido por muito tempo e se houver forte aceleração no crescimento”, acrescenta Karl.

Sobre a Autora

Denise Bueno

Denise Bueno

Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre finanças para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Fiesp, ACSP, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista da revista Apólice, especializada em seguros, e também do SindSeg-SP. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalizacao entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil.

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