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Seguradoras apostam no consumo consciente para ajudar a criar poupança de longo prazo

42-22538706*matéria extraída do site da CNSeg – www.viverseguro.org.br

A educação financeira é um tema que tem de fazer parte deste Brasil de oportunidades. Exatamente por isso o tema foi incluído no V Fórum Nacional de Seguro e de Previdência Privada, realizado nos dias 15 e 16 em São Paulo. “O consumo consciente e ético são os fundamentos básicos para a formação de poupança”, disse Renato Russo, vice-presidente da Fenaprevi e da SulAmérica Seguros ao abrir o painel “A Educação Financeira a serviço de uma sociedade sustentável”, do qual foi mediador.

Apoiado por 80 empresas, o Instituto Akatu tem buscado formas inovadoras de conscientizar a população sobre a necessidade do consumo consciente. “Nossas palestras visam alertar as pessoas sobre os impactos das atitudes individuais, que mesmo minúsculas podem ser grandiosas quando analisadas dentro de um contexto global”, afirma Helio Mattar, diretor do Instituto Akatu.

Entre 1960 e 2000, o número de habitantes do planeta dobrou, passando para 6 bilhões. Neste mesmo período, o consumo quadriplicou, totalizando US$ 20 trilhões. Isso quer dizer que o aumento da demanda dos recursos naturais explodiu. O mundo já consome 30% a mais do que a terra é capaz de renovar. Um fato curioso é que apenas 25% da população consome o necessário. “Se todos viessem a consumidor na média, quatro planetas não seriam suficientes para gerar os recursos necessário para atender a demanda”, diz Helio Mattar, do Akatu. Este consumo desenfreado leva a diversos impactos, sendo o principal o aquecimento global, segundo materia do Blog Sonho Seguro.

A solução da sustentabilidade vai vir, principalmente, pelo desenvolvimento de tecnologia mais limpa. Porém, o mais importante é que ela venha do consumidor mais consciente. Então é aqui que entra a educação financeira como uma das principais armas para salvar o planeta. Renato Campos, diretor da Funenseg, questionou os especialistas em como realmente mudar a atitude de consumidores habituados a consumir e também como conter uma demanda reprimida desta nova leva que começa agora a ter renda para comprar o que sonhou a vida toda. “A resposta a esta pergunta vale bilhões de dólares. É o que todos querem saber. Acredito que será um processo lento, mas imprescindível para as gerações futuras”, afirmou Mattar.

Entre os argumentos de peso usado pelos profissionais do Instituto Akatu estão a geração de lixo gerada pelo consumo. Só em São Paulo, o orçamento do lixo representa dois terços do orçamento da educação. “Ou seja, dinheiro para recolher lixo que deixa de ir para outras áreas importantes. Se as pessoas consumirem menos, gerarão menos lixo e sobrará recursos para outras áreas, inclusive para a educação”. O Brasil inteiro produz no ano lixo para encher 125 mil prédios. Para se ter uma noção da quantidade, São Paulo, cidade considerada uma selva de pedra, tem uma pequena parcela disso, 25 mil prédios.

O impacto do consumo consciente não apenas ajuda o planeta como também as finanças pessoais. A cada R$ 1 por dia economizado com uma compra desnecessária totalizaria R$ 284 mil no final de 66 anos, considerando-se taxa de juros de 6% ao ano. Por isso, uma dica do instituto Akatu é a regra dos quatro “R” – replanejar a vida priorizando o consumo do que realmente faz diferença, reduzir o excesso de consumo, rever os hábitos de consumo na vida e renegociar as dívidas.

Segundo Cassia D’Aquino, criadora de educação financeira em várias escolas no Brasil, gastar demais para comprar coisas que não quer para impressionar quem não gosta é o mote que precisa ser desmontado e que pode orientar a educação financeira. “A partir desta consciência é possível ajudar as pessoas a organizarem melhor suas finanças pessoais”.

“Temos de educar nos mesmos e nossos funcionários a pensarem economicamente, um dado irrevogável de sobrevivência do planeta”, comenta Fernando Alex, cientista social, diretor da Rede Cidadã, focada no voluntariado empresarial.

Pedro Bulcão, presidente da Sinaf, questionou os profissionais de educação financeira sobre como eles vêem os serviços prestados pelas instituições financeiras em prol da educação financeira. A resposta foi motivadora. “As empresas segundo setor tem um importante papel educativo, principalmente da classe C que está entrando no mercado de seguros. Acredito que poderemos ver as seguradoras tendo um papel efetivo em educação financeira”, disse Mattar, do Akatu.

Para o diretor da Rede de Cidadã, as empresas estão acordando para o assunto que é prioritário para a sustentabilidade econômica e social. “Vocês fazem muito, mas podem fazer mais. Muitas alegam não ter tempo para o assunto, mas é preciso colocar este tema na agenda”.

Sobre a Autora

Denise Bueno

Denise Bueno

Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre finanças para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Fiesp, ACSP, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista da revista Apólice, especializada em seguros, e também do SindSeg-SP. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalizacao entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil.

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