mercado mudanças climaticas

Allianz patrocina debate sobre mudança climática

42-19909726A Allianz é a patrocinadora do 2º seminário CC+I (Climate Change and Insurance), promovido pela Geneva Association, realizado nos dias 27 e 28, em São Paulo. O encontro é destinado ao debate das mudanças climáticas na América Latina e Caribe e suas relações com o mercado de seguros. Uma grande preocupação da indústria é com o aumento de ocorrências de catástrofes naturais no Brasil, que até poucos anos atrás eram praticamente inexistentes. Neste ano, por exemplo, já podemos citar o excesso de chuvas em São Paulo, no Rio de Janeiro e nos estados do Nordeste, com prejuízos econômicos significativos para os governos, famílias e seguradoras.

Esta é a primeira vez que o evento acontece no país e discute especificamente os impactos do aquecimento global na região. “É um grande orgulho para nós realizar este evento em São Paulo e assim promover o debate de novas alternativas e gestão de negócios que colaborem para todos terem um futuro melhor”, diz Max Thiermann, presidente da Allianz, na abertura do encontro patrocinado pela subsidiária brasileira do grupo alemão.

Entre os temas prioritários temos a saúde das populações locais, assim como os novos seguros que podem ser desenvolvidos para reduzir as perdas da sociedade e das empresas com as mudanças globais. A grande discussão entre os quase 50 participantes está em como a indústria de seguros pode ajudar o planeta a sofrer menos com o consumo desenfreado, que retira da natureza mais do que esta pode lhe dar. Além disso, como viabilizar produtos que ajudem as pessoas a refazer a vida após a ocorrência de uma catástrofe.

Os debates sobre mudanças climáticas dão uma noção clara do poder das seguradoras em estimular a mudança de relação da sociedade, dos indivíduos, das empresas e dos governos com a qualidade de vida de todos. Além do interesse em criar produtos para mitigar os riscos, o objetivo do encontro é também reunir ideias que possam colaborar para a mudança de atitude das pessoas num apelo que vai além dos benefícios econômicos.

Se nada for feito, a vida na terra ficará comprometida, afirma o professor Germán Poveda, da Universidad Nacional de Colombia, um dos palestrantes do evento. E isso não é apenas conversa de cientista ou ativista. Aliás, o que se constatou até agora é que os estragos na terra já superam as mais catastróficas previsões feitas anos atrás. “O número de furacões e o aumento da intensidade tem sido significativa nos últimos 30 anos”, informou.

Reduzir a emissão de CO2 é uma missão que pode ser perseguida por todos a partir de um consumo mais consciente. “A educação financeira pode ter uma forte contribuição para minimizar os efeitos climáticos e isso pode ajudar a causar menos mortes e direcionar recursos governamentais para investimentos e não para consertar o que está sendo aniquilado”, diz Adriana Boscov, superitendente de sustentabilidade da SulAmérica.

Ela citou como exemplo a iniciativa de ONGs para o recolhimento de óleo nas residências. Somente a ONG Ecoleo.org.br, conseguiu no bairro de Cerqueira Cesar, em São Paulo, fazer com que mais de 1 milhão de litros por mês deixem de ir para esgoto com uma simples atitude de estimular a população a reciclar. “Foi entregue um folheto junto com a conta de água e a adesão foi impressioante”, conta. Com isso, a economia gerada com a manutenção do custo de drenagem da rede de esgoto chegou a 25%, verba que pode ser usada para investimentos na ampliação do sistema de água.

Isso mostra que muito pode ser feito para educar a sociedade e fazer com que o país continue sendo o destino de milhões de turistas. O Brasil do futuro sequer lembrará este país maravilhoso, livre de catástrofes naturais de grandes efeitos e frequência, como outros continentes se a agressão ao planeta continuar. “O norte virará um deserto e o sul um alagado, com pessoas doentes e sem infraestrutura, devastado pelos efeitos das mudanças climáticas. São Paulo corre o risco de sofrer com grandes enchentes, trazendo perdas para todos”, ressalta Juan England, diretor da corretora Willis.

Globalmente, 2010 tem sido o ano mais quente desde que os registros começaram, há mais de 130 anos, sendo que os dez mais quentes caem todos no período dos últimos 12 anos, informa Peter Hoeppe, especialista do departamento de mudanças climáticas da Munich Re. Segundo ele, 725 desastres naturais ligados ao clima no mundo nos primeiros nove meses desde ano trouxeram impactos significativos para o mundo. Este é o segundo maior número em 30 anos. As perdas econômicas ligadas ao clima chegam a um total superior a US$ 65 bilhões nos primeiros nove meses. O valor está abaixo da média dos últimos dez anos, mas as indenizações cobradas das empresas de seguro chegaram a US$ 18 bilhões.

O seminário CC+I é parte integrante do Programa de Gerenciamento de Riscos, criado pela Geneva Association, com o objetivo de dialogar com diversos setores econômicos para enfatizar o papel do seguro na sociedade.

Sobre a Autora

Denise Bueno

Denise Bueno

Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre finanças para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Fiesp, ACSP, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista da revista Apólice, especializada em seguros, e também do SindSeg-SP. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalizacao entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil.

Deixar um comentário