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Venda de seguro garantia pode duplicar e valor de garantias triplicar em 2010

max-thiermann-presidente-da-allianz-segurosAonde será o canteiro de obras? Esta é a primeira pergunta feita pelos subscritores de riscos sediados na matriz da seguradora alemã Allianz, em Munique, aos executivos brasileiros. “A resposta é: o Brasil é um canteiro de obras”, conta Edson Toguchi, superintendente de seguros financeiros da Allianz Brasil, em sua palestra no 5º Fórum Internacional de Seguros para Jornalistas, realizado hoje pela Allianz em São Paulo.

A partir desta afirmação eles apresentam aos estrangeiros o mapa de investimentos do Brasil. Nos próximos seis anos, segundo a Allianz, o país deve receber pelo menos R$ 300 bilhões em investimentos em infraestrutura. O BNDES divulgou estimativas de desembolsar algo entre R$ 40 bilhões a R$ 50 bilhões anualmente nos próximos quatro anos.

Considerando-se o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC-2), são quase R$ 1 trilhão. Petróleo e petroquímico, bem como energia, papel e celulose e siderurgia, metalúrgica e mineração estão entre os quatro setores que mais aportarão recursos para atender a demanda de crescimento do Brasil. Entre os investimentos já divulgados, a Petrobras é a líder absoluta. Hoje mesmo o grupo divulgou intenção de investir R$ 224 bilhões nos próximos quatro anos. Vale, Eletrobras, Chesf, CNS, Suzano, EDD, Neoenergia, Cosan, Usiminas, MMX, CPFL, Copel e Cemig compõem o grupo dos maiores investimentos anunciados no país.

“O Brasil está no centro do interesse mundial e com chances reais de se tornar a quinta maior economia do planeta. E o segmento de seguro exerce um papel fundamental para garantir esta conjuntura”, diz Max Thiermann (foto), presidente da Allianz Brasil. Uma das formas da indústria de seguros participar deste momento histórico de crescimento do país é com o seguro para garantir que todas as obras em execução sejam finalizadas dentro do prazo e nas condições acordadas.

O seguro garantia é um dos instrumentos que visa assegurar os contratos de financiamentos. Diante dos valores, a parceria entre as empresas é a saída para garantir os contratos. A abertura do resseguro foi um fato importante para o seguro garantia, pois possibilitou a entrada de vários players no Brasil e aumentou a concorrência entre as seguradoras.

Segundo o executivo, há farta capacidade de oferta de seguro garantia no País. O Brasil tem 22 seguradoras e 18 resseguradores operando neste mercado. Eles ofertaram cerca de R$ 100 bilhões em limite de garantias em 2009, que podem até triplicar neste ano, chegando a R$ 300 bilhões com os seguros de infraestrutura e estádios para a Copa 2014. “São projetos enormes, que chegam a surpreender a matriz”, comenta Tânia Amaral, superintendente da área de riscos financeiros da Munich Re do Brasil, uma das palestrantes do evento.

Um problema que tem gerado conflito neste segmento é o excesso de obras das grandes construtoras. Todos os grandes projetos estão na mão de cinco construtoras, o que aumenta muito o risco. “Como um cheque especial, muitas delas já consumiram o limite de crédito que é possível uma seguradora disponibilizar para cada grupo, obedecendo as regras de solvência da indústria”, explica.

São tantos riscos e tanta necessidade de que tudo dê certo, que o governo anunciou em maio a criação da Empresa Brasileira de Seguros (EBS), com o objetivo de se prevenir da crise financeira internacional e apoiar eventuais necessidades de capacidade que as empresas privadas não possam suportar. “Hoje, das 20 maiores exposições da Munich re no mundo, metade é de empresas brasileiras”, acrescenta Tania.

Um dos problemas já detectados, por exemplo, é o atraso nos projetos para a construção dos estádios no Brasil. Este atraso é uma análise crucial para o mercado segurador. “Por exemplo, construir um estádio em dois anos quando o previsto era de três anos, pode inviabilizar a participação da seguradora por motivos técnicos”, comenta Toguchi. O rating da seguradora pode cair, caso ela assuma projetos sem viabilidade técnica, acrescenta.

O volume de prêmios vem crescendo ano a ano e a estimativa é de que em 2010 o mercado irá dobrar de tamanho, diz o executivo da Allianz. Em 2007, os prêmios de garantia somaram R$ 342 milhões, passando para R$ 500 milhões em 2008 e R$ 696 milhões em 2009. Nos quatro primeiros meses deste ano os prêmios de garantia já somam R$ 226 milhões, segundo dados da Susep compilados pela Allianz.

O atual estágio do seguro garantia no Brasil é explicar como funciona o produto. “Muitas vezes se exige garantias elevadas, que não condizem com o contrato, pois o risco de algoacontecer é bem menor do que o exigido. Outra distorção é do responsável pela obra querer passar todo o risco para seguros, sendo que seguro é apenas uma das garantias dentro de uma estrutura financeira de um projeto”, explica Tania Amaral.

A Allianz começou a operar com garantia em 2008, ano em que o mercado apresentou crescimento de 50% no volume de prêmios no segmento. Em 2009, enquanto o mercado evoluiu 40%, os prêmios da Allianz chegaram a R$ 22 milhões, alta de 73%. Em 2010, segundo o executivo, a Allianz já acumula crescimento de 27%. “Temos o apoio da matriz e interesse em atuar em todos os segmentos, tanto com a oferta de coberturas inovadoras como em trazer recursos para o Brasil caso isso seja necessário”, finaliza o executivo da Allianz.

Sobre a Autora

Denise Bueno

Denise Bueno

Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre finanças para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Fiesp, ACSP, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista da revista Apólice, especializada em seguros, e também do SindSeg-SP. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalizacao entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil.

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