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Queda da Selic traz desafios às seguradoras

42-18369667A principal notícia do dia é que mais uma vez o Copom reduziu a taxa de juros da economia. Com a Selic a 8,75%, o nível mais baixo da história, as margens das seguradoras tendem a diminuir e as empresas precisam se tornar eficientes, pois a rentabilidade obtida na aplicação sobre os recursos gerenciados pela seguradora na renda fixa torna-se menor.

Além disso, a concorrência está mais acirrada. Vários bancos, ontem mesmo, divulgaram comunicado sobre redução de juros de diversos financiamentos. Com spread menor, os bancos passam a buscar outras formas de ganhar dinheiro, e o seguro é a que mais tem estado em pauta nas reuniões dos banqueiros.

Isto quer dizer que a concorrência irá aumentar e será difícil para as seguradoras materializarem reajuste no preço do seguro, principalmente no de carro. Algumas já fizeram em março e o resultado tem sido a queda de faturamento no consolidado de junho.

Segundo executivos de várias seguradoras, o balanço semestral já trará um cenário menos positivo do que o apresentado no ano passado. Entre as principais estratégias para se adequar a este novo cenário de taxa de juros de um dígito temos a ampliação da oferta de produtos, busca por canais de distribuição, redução de despesas e migração do portfolio de aplicações para ativos de maior risco, deixando o porto seguro dos títulos públicos, onde estão mais de 90% da carteira de investimentos de quase R$ 180 bilhões das companhias de seguros.

Várias opções de títulos privados começam a surgir. Ontem, a Brasil Foods, novo nome Perdigão, encerrou captação de R$ 5,3 bilhões. A Natura deve captar R$ 1,6 bilhão na oferta que se encerra no próximo dia 28. O apetite dos investidores está mais aquecido, como mostrou o IPO da Visanet, o maior do mundo até agora neste ano, com R$ 8,4 bilhões. Só deve perder a liderança com a emissão da China State Construction Engineering, que deve captar quase US$ 6 bilhões, ou seja, R$ 11,4 bilhões. Com taxas de juros menores, o investimento tende a ser canalizado para a produção, gerando empregos, aumentando a renda, girando o crédito. O que trará mais desenvolvimento para o País, com oportunidades para todos os setores, especialmente o de seguros.

Sobre a Autora

Denise Bueno

Denise Bueno

Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre finanças para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Fiesp, ACSP, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista da revista Apólice, especializada em seguros, e também do SindSeg-SP. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalizacao entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil.

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