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Indenizações de D&O podem custar US$ 6 bilhões

42-20909502A Towers Perrin e Cornerstone divulgaram ontem um alerta de que os custos com o pagamento de indenizações de D&O podem custar mais de US$ 6 bilhões para as seguradoras, segundo informou uma reportagem do jornal britânico Financial Times, tendo a Advisen como fonte. Até agora foram 210 processos em 2008, 17% acima do volume registrado em 2007. Praticamente metade deles se refere a instituições financeiras.

Além de um volume maior, o custo das indenizações determinadas pela Justiça tem aumentado consideravelmente. O resultado disso, diz a reportagem, é o aumento do custo e condições de coberturas mais restritas para instituições financeiras, além da recusa em fazer o seguro para aquelas mais expostas a perdas do subprime.

O temor das seguradoras é ter um ano como no início do século 21. As maiores perdas em D&O foram iniciadas com a quebra da Enron, que gerou acordos com acionistas de US$ 7,1 bilhões. A WorldCom é a vice líder em indenizações, com US$ 6,1 bilhões. A Cedant gerou indenizações de US$ 3,5 bilhões.

O caso da fraude do Société Générale e do escândalo Madoff pioraram ainda mais o cenário de crise. No Brasil, os principais casos que correm na Justiça são o da Sadia e da Aracruz, onde acionistas questionam a exposição das em empresas em derivativos, que causou milhões de reais em prejuízo.

Este segmento tem apresentado um dos maiores crescimentos entre os produtos vendidos pelas seguradoras brasileiras. As empresas que mais contratam o seguro de D&O são aquelas que negociam seus papéis no mercado acionário. Nos Estados Unidos, 98% das empresas já compram este produto para proteger o patrimônio de seus executivos. Na Europa, 80%. As empresas latinas que negociam ADR na bolsa de valores americana são outro grande nicho de disputa para a venda de D&O.

O Brasil conta ainda com um pequeno número de contratos, em torno de 1,2 mil. Mas tem crescido rapidamente. No primeiro quadrimestre deste ano, o ramo acumula prêmios de R$ 40 milhões, bem acima dos R$ 27 milhões do mesmo período do ano anterior. a Itaú Unibanco é a maior do Brasil, com prêmios de R$ 15,2 milhões, incluindo a Unibanco, a Itaú e a Itaú XL. A SulAmérica é a segunda maior, com R$ 6,1 milhões, seguida pela Zurich, com R$ 5,4 milhões, Chubb, com R$ 4 milhões e ACE, com R$ 3,5 milhões.

A Liberty é a mais nova estreia neste segmento. “A Liberty vai atuar fortemente no Brasil. Mundialmente, é uma das cinco maiores na subscrição de D&O. Tem expertise local e internacional para oferecer coberturas e serviços que realmente protejam o profissional e a empresa”, diz Luís Maurette, presidente do Grupo Liberty no Brasil.

Para comandar a área, a sua divisão de linhas especiais, Liberty International Underwriters (LIU), contratou Renato Rodrigues, 33 anos, um dos melhores profissionais de D&O na indústria de seguros. O executivo tem mais de dez anos de experiência em responsabilidade civil de executivos e ocupou posições importantes em empresas nos EUA.

”As oportunidades no Brasil são enormes, pois as empresas estão contratando o seguro pela primeira vez, diferentemente dos EUA, país em que 90% das empresas já têm apólices contratadas”, afirma Rodrigues.

Sobre a Autora

Denise Bueno

Denise Bueno

Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre finanças para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Fiesp, ACSP, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista da revista Apólice, especializada em seguros, e também do SindSeg-SP. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalizacao entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil.

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