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É preciso investir em educação, diz Mercer

42-21523340Enganou-se quem achou que a crise é a preocupação número um dos executivos de recursos humanos responsáveis por planos de aposentadoria em grandes empresas. Investir em educação financeira é a prioridade.
A resposta “Esperar para ver o que vai acontecer” foi dada por 80% dos 200 executivos questionados sobre a crise presentes na pesquisa realizada durante a abertura do seminário Mercer de Previdência, ocorrido na última terça-feira, em São Paulo.

Obviamente eles estão preocupados com a crise. Mas sabem que aposentadoria é um investimento de longo prazo. Estão acostumados com o movimentos ciclícos da econômia e já passaram por várias crises. Mas muitos de seus participantes não. E se assustam de ver o sobe e desce da bolsa. Pior ainda nesta crise, com uma curva decrescente para lá de acentuada no último trimestre do ano passado.

Por isso, a prioridade é a educação financeira. Cerca de 73% dos 200 profissionais que participaram da pesquisa buscam formas de melhorar a comunicação com os participantes dos planos basicamente por duas razões: reduzir o volume de saques e estimular aportes, tanto para que o indivíduo tenha uma reserva maior para fazer frente a longevidade, como para compensar o desequilíbrio nos fundos que ainda tem em carteira o plano de benefício definido, que geralmente garantem uma rentabilidade mínima. Esses planos não são mais vendidos. Foram substituídos pelo modelo de contribuição definida, onde não há garantia de rentabilidade.

A educação financeira ficou ainda mais evidente com o resultado apresentado pela Mercer de outras duas pesquisas realizadas com cerca de 150 empresas. Elas mostram que realmente incentivar a conscientização das pessoas em relação a poupança de longo prazo é um assunto prioritário. O índice de resgate dos planos de aposentadoria, segundo a pesquisa na base de clientes da Mercer, era de 82% entre setembro de 2007 e março de 2008, período em que os brasileiros apenas ouviam falar da crise das hipotecas de alto risco (subprime) nos Estados Unidos. Quando a crise se agravou e chegou de fato no Brasil, entre setembro de 2008 e março de 2009, a Mercer fez novamente a pesquisa e o índice de resgate dos planos passou para 83%. Ou seja: nada mudou em razão da crise. O resgate já era elevado e permaneceu.

Ao contrário dos Estados Unidos, onde a educação financeira está incluída nos primeiros anos escolares, o índice de resgate lá aumentou por duas razões: insegurança com as instituições financeiras causada pela crise e por necessidade dos recursos para enfrentar o desemprego.

O temor dos americanos é fácil de entender. Segundo estatísticas mundiais, os ativos de previdência registraram perdas de US$ 5,3 trilhões em todo o mundo. Ou seja, três vezes e meia o PIB do Brasil. A estimativa dos consultores da Mercer é de que parte disso será recuperada entre 2 e 15 anos, dependendo da política de investimento de cada fundo de aposentadoria.

Com os juros baixos e a aversão do investidor a risco, ficará dificil recuperar a perda rapidamente. Por isso trazer informações que tornem o setor mais claro para o consumidor é importante. Como previdência é um investimento de longo prazo, é preciso arriscar para ter um rendimento melhor. Mesmo que a bolsa caia hoje, pode subir amanha. No ano passado, por exemplo, o Ibovespa ficou negativo em mais de 40%. Neste ano está positivo em mais de 30%.

São detalhes como esse que precisam ficar claro para as pessoas para que se consiga ter uma poupança de longo prazo, algo muito novo para o brasileiro. “Sem educação financeira, aportar recursos em um plano de previdência é um péssimo investimento. As pessoas que fazem saques não fazem contas. Não tem noção dos benefícios tributários no longo prazo ou do custo tributário no curto prazo”, diz Carolina Wanderley, consultora da Mercer especializada em previdência e finanças pessoais. A executiva proferiu a palestra “Educando seus participantes para o futuro”.

Com este volume de saques, o argumento para convencer uma empresa a investir em um plano de previdência cai por terra, uma vez que o produto deixa de ser um benefício e passa a ser um custo. Para reverter esta situação e também trazer novos aportes para fundos com planos de benefício definido, que sofrem déficits atuariais com a queda da taxa Selic, a saída é a educação financeira.

Entre os principais tópicos, a conscientização de que governos e empresas buscam reduzir custos com benefícios, de que cada vez mais a qualidade da aposentadoria dependerá do esforça de cada indivíduo fazer a sua própria poupança; que quanto mais cedo começar, melhor será; maior clareza em relação ao ganho dos benefícios fiscais e perdas que podem sofrer com o saque antecipado e, entre outras dicas, o efeito dos juros compostos.

“A rentabilidade sobre o patrimônio acumulado chega a representar 67% da poupança no prazo de 20 anos, enquanto o valor aportado representa 33%. O efeito de juros sobre juros é muito estimulante para quem tem o hábito de poupar”, diz a consultora. Uma economia de R$ 550 por mês gera em 30 anos mais de R$ 1,1 milhão, considerando-se juros nominais de 10% ao ano.

Sobre a Autora

Denise Bueno

Denise Bueno

Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre finanças para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Fiesp, ACSP, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista da revista Apólice, especializada em seguros, e também do SindSeg-SP. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalizacao entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil.

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