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Mercado dobrará de tamanho, prevê estudo da S&P

A indústria de seguros, que hoje detém uma participação de 2,6% no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, deverá dobrar sua participação no médio prazo. Esse é o cenário previsto pela Standard & Poor’s no estudo “Brazil’s Top 20 Insurance Companies”, que inclui seu primeiro ranking das 20 maiores empresas de seguros no Brasil.

Tamara Berenholc, analista de crédito da Standard & Poor’s e co-autora do estudo, vê 2007 como o ano da virada para a indústria de seguros. Para ela, a abertura do resseguro e a implementação das regras de solvência farão surgir novos investimentos, produtos, um acirramento da competição e uma maior consolidação do setor.

De acordo com o estudo, entre os pontos positivos da indústria de seguros estão o potencial de crescimento no longo prazo, a limitada exposição do País a catástrofes naturais, uma política conservadora de investimento, melhora da disciplina de subscrição de risco e mudanças no arcabouço regulatório que levam o padrão brasileiro ao praticado pelos países desenvolvidos.

Entre os aspectos negativos, a S&P cita a pequena participação de seguros no PIB, a forte competição, a fraca demanda por seguro e a necessidade de grande parte das companhias por capital adicional para se adaptarem às regras de solvência.

Paralelamente a divulgação do estudo, a S&P promoveu ontem no Rio um evento para debater os desafios desta indústria com as novas regras de capital baseado em risco, abertura do mercado de resseguro e cenário de queda das taxas de juros, de onde hoje as seguradoras tiram a lucratividade da operação.

Segundo Samuel Monteiro, diretor geral da Bradesco Seguros e Previdência, um dos palestrantes do evento, realmente há um grande potencial de crescimento com a abertura, a exemplo do que tem acontecido com a China e Índia. “Isso exigirá uma especialização maior de profissionais na área”, disse.

Para ele, as seguradoras terão de investir em atuários. “A área atuarial terá de ter uma integração com a área financeira da companhia de seguro, pois a tendência é que seguros de longo prazo vão ganhar mais destaque. Com isso, as seguradoras vão precisar procurar investimento de longo prazo, que terão de ser criados pelo mercado financeiro”, disse.

Monteiro também citou a necessidade de especialização das agências de classificação de risco. “Elas terão de ter profissionais mais especializados no mercado de seguros para que possam emitir corretamente seus ratings, que passarão a ser necessários para a contratação de resseguro.

Marcus Clementino, presidente da comissão de resseguros da Federação das Seguradoras (Fenaseg) e diretor da SulAmérica, que também proferiu uma palestra no evento, alertou os executivos presentes sobre a necessidade de uma regulamentação flexível na área de resseguros, que está a cargo da Susep. “Se as exigências forem muito elevadas, com certeza os resseguradores estrangeiros ficarão de fora. Precisamos de regra flexível para atrair resseguradoras locais e ter competitividade no setor”, disse Clementino. Ele disse que o preço do resseguro pode não cair num primeiro momento. “As taxas podem até subir, pois poucos têm informações das empresas brasileiras além do IRB.”

Matéria da autora publicada na Gazeta Mercantil em 01/06/2007

Sobre a Autora

Denise Bueno

Denise Bueno

Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre finanças para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Fiesp, ACSP, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista da revista Apólice, especializada em seguros, e também do SindSeg-SP. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalizacao entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil.

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